segunda-feira, 16 de julho de 2012

Divulgando...




1º Seminário de pesquisa sobre livros didáticos de língua portuguesa tem como principal objetivo reunir pesquisadores nacionais que abordam o livro didático de português (LDP) como objeto de investigação. Por essa razão, está organizado para discutir questões epistemológicas e metodológicas das pesquisas atuais (finalizadas ou em andamento), levando em consideração os livros de alfabetização e/ou os de língua portuguesa para o ensino fundamental I, II e Médio.


I Seminário de Pesquisas sobre os Livros Didáticos 

de Língua Portuguesa

Local: USP 

Dias: 08 e 09/10 



Mais informações e programação no site:
http://dlcv.fflch.usp.br/I_seminario_de_pesquisas_sobre_os_livros_didaticos_de_lingua_portuguesa


domingo, 8 de julho de 2012

Flip- Festa Literária em Parati


Foto: Guilherme Carvalho
A palavra para resumir até agora o meu ano de 2012 é 'Encontro'. Não pensava em ir a Parati para ver a Flip, até porque nas duas vezes em que estive na Bienal do Livro aqui no Rio, sinceramente, não gostei. O convite foi na quinta e na sexta-feira revivi os velhos tempos de pegar a estrada à noite. Vi o dia amanhecendo em Parati e encontrei muita gente querida na Festa Literária. De fato, achei que poderia ter mais editoras, mais discussões. Mas na Flip  pude rever professores da minha graduação mediando discussões, crianças se divertindo com os bonecos que circulavam pela cidade, ex-alunos que agora são professores, alunos da Universidade, colegas de trabalho. 
                                            
Fiquei como criança em dia de festa. E foi uma Festa! 
As estátuas liam...

                                                                            As crianças liam....

A Literatura circulava... e o e simpático Luis Fernando Veríssimo me fez essa gentileza...
Luis Fernando Veríssimo, Bruno Ramos e Cristina Varandas
Parafraseando Orestes Barbosa, eu diria que andei cantando a minha fantasia em Parati enquanto a lua salpicava de estrelas aquele chão.









quarta-feira, 27 de junho de 2012

Esqueceram do Burle Marx na Rio +20???

Burle Marx


Lamentável que a imprensa tenha feito uma cobertura da Rio +20 no estilo ‘cobertura do carnaval carioca’, ou seja, o Riocentro parecia o Sambódromo.  Frases feitas -  ‘o documento é fraco’, ‘os países estão reunidos, mas ainda é pouco’ , ‘O Rio de Janeiro vive um momento histórico’ – enquanto esperávamos as notas dos jurados.  Do outro lado, na Cúpula dos Povos, tínhamos uma cobertura estilo ‘blocos de rua’. E nessa história toda, esqueceram de contar a História. A Rio +20 acabou e eu não vi, não li, não ouvi nada, nadinha sobre Roberto Burle Marx. Pode ser que eu tenha cochilado, mas parece que os organizadores e jornalistas não fizeram o trabalho de casa. Simplesmente esqueceram de falar um nome importantíssimo: Roberto Burle Marx – um dos maiores paisagistas do mundo!

Burle Marx foi, entre outras coisas,  o criador do projeto paisagístico do Aterro do Flamengo, exatamente onde estava a Cúpula dos Povos! Um nome respeitadíssimo internacionalmente.

Tive a oportunidade de ver Burle Marx sorridente, jogando conversa fora entre os moradores da Barra de Guaratiba, onde criou um sítio que hoje pertence ao IPHAN. Parecia gente boa, simples como a natureza. Não precisa falar, bastava ver o que ele fez. Quem quiser saber um pouco, assista ao programa De Lá Prá Cá exibido na TV Brasil em 2009.

                      

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Rio+20 -- André Trigueiro

A Rio +20 está acabando e fica a certeza de que qualquer discussão vale muito, porque até então nem discutíamos o assunto. Aqui posto uma entrevista com o jornalista André Trigueiro ao Programa Observatório da Imprensa, exibido pela TV Brasil. Interessante as observações do André Trigueiro, posto que ele relaciona a questão ambiental a questões como educação, pesquisa e cultura, até porque ele é um pesquisador, não apenas um palpiteiro do assunto. A mídia “tradicional” fez pouco, o que já era esperado. Mas para quem esteve no Aterro do Flamengo, in loco, viu muito. Viu que a sociedade tem feito o seu papel da maneira que pode e quando pode, e isso já é sinal de mudança.
                      

quinta-feira, 14 de junho de 2012

III JORNADA A ANÁLISE DO DISCURSO E SUAS INTERFACES

                                     UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
      FACULDADE DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS DE RIBEIRÃO PRETO
       
14 DE AGOSTO




segunda-feira, 11 de junho de 2012

Envelhecer



O velho guitarrista- Pablo Picasso
                            
Conheço algumas pessoas que estão envelhecendo mal. Desconfortavelmente. Com uma infelicidade crua na alma. Estão ficando velhas, mas não estão ficando sábias. Um rancor cobre-Ihes a pele, a escrita e o gesto. São críticos azedos do mundo. Em vez de críticos, aliás, estão ficando cítricos, sem nenhuma doçura nas palavras. Estão amargos. Com fel nos olhos.
E alguns desses, no entanto, teriam tudo para ser o contrário: aparentemente tiveram sucesso em suas atividades. Maior até do que mereciam. Portanto, a gente pensa: o que querem? Por que essa bílis ao telefone e nos bares? Por que esse resmungo pelos cantos e esse sarcasmo público que se pensa humor?
Envelhecer deveria ser como planar. Como quem não sofre mais (tanto) com os inevitáveis atritos. Assim como a nave que sai do desgaste da atmosfera e vai entrando noutro astral, e vai silente, e vai gastando nenhum-quase combustível, flutuando como uma caravela no mar ou uma cápsula no cosmos.
Os elefantes, por exemplo, envelhecem bem. E olha que é uma tarefa enorme. Não se queixam do peso dos anos, nem da ruga do tempo e, quando percebem a hora da morte, caminham pausadamente para um certo e mesmo lugar - o cemitério dos elefantes, e aí morrem, completamente, com a grandeza existencial só aos grandes permitida.
Os vinhos envelhecem melhor ainda. Ficam ali nos limites de sua garrafa, na espessura de seu sabor, na adega do prazer. E vão envelhecendo e ganhando vida, envelhecendo e sendo amados e, porque velhos, desejados. Os vinhos envelhecem densamente. E dão prazer.
O problema da velhice também se dá com certos instrumentos. Não me refiro aos que enferrujam pelos cantos, mas a um envelhecimento atuante como o da faca. Nela o corte diário dos dias a vai consumindo. E, no entanto, ela continua afiadíssima, encaixando-se nas mãos da cozinheira como nenhuma faca nova.
Vai ver, a natureza deveria ter feito os homens envelhecerem de modo diferente. Como as facas, digamos, por desgaste, sim, mas nunca desgastante. Seria a suave solução: a gente devia ir se gastando, se gastando, se gastando até desaparecer sem dor, como quem, caminhando contra o vento, de repente, se evaporasse. E iam perguntar: cadê fulano? E alguém diria – gastou-se, foi vivendo, vivendo e acabou. Acabou, é claro, sem nenhum gemido ou resmungo.
A literatura tem lá seus personagens-símbolos a esse respeito: o Fausto e o Dorian Gray. Apavorados com a velhice e a morte, venderam a alma ao diabo e pediram a juventude de volta. Não deu certo. O diabo não joga para perder. Dizem que a única vez que foi realmente derrotado foi naquela disputa com o próprio Deus a respeito de Jó. Mesmo assim, deu um trabalho danado.
Especialistas vão dizer que envelhece mal o indivíduo que não realizou suas pulsões eróticas essenciais: aquele que deixou coagulada ou oculta uma grande parte de seus desejos. Isso é verdade.
Parcial, porém. Pois não se sabe por que estranhos caminhos de sublimação há pessoas que, embora roxas de levar tanta pancada na vida, têm, contudo, um arco-íris na alma.
Bilac dizia que a gente deveria aprender a envelhecer com as velhas árvores. Walt Whitman tem um poema onde vai dizendo: "Penso que podia ir viver com os animais que são tão plácidos e bastam-se a si mesmos."
Ainda agora tirei os olhos do papel e olhei a natureza em torno. Nunca vi o Sol se queixar no entardecer. Nem a Lua chorar quando amanhece.
Adaptado de SANT’ANNA, Affonso Romano de. Melhores crônicas. São Paulo. Global, 2003, pp. 52-54

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Não negue, ouça!

Desde que descobri um edema nas cordas vocais, em março deste ano, tenho feito aulas de terapia vocal semanalmente com acompanhamento de uma fonoaudióloga. É um  intenso trabalho de percepção de voz, que  não só me dá um bem-estar físico, como também me faz ser uma ouvinte melhor. Aqui, penduro no varal, uma música do Adelino Moreira, grande sucesso com Nelson Gonçalves e um presente do deuses esta gravação com Cesária Évora. Vale fechar os olhos e ouvir, porque nem sempre a voz nos pertence. Pertence a quem nos ouve.