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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Óculos para 2015...

Foto Plínio Silveira

Pendurando no Varal da Cristina Varandas... 
mais do que um acessório, uma necessidade, pois viver-não-é-preciso-todavia-enxergar-é-vital!
                                                                           Plínio Silveira

sábado, 9 de agosto de 2014

Viva tu, Viva a Ilha do Tatu

Ilha do Tatu- Sepetiba
Saudade da minha casa de Sepetiba. Da alegria de reunir os amigos, da proteção dos pais. Saudade do meu quarto, lá eu lia muito mais. Via a piscina, o cachorro, o verde...passava horas imaginando o meu futuro...fazer a faculdade, como diziam. Sonhava trabalhar, pagar as contas e conquistar a tal independência financeira. Olho para os lados e vejo que o preço não foi o combinado. As prestações subiram bem mais do que eu esperava. Os juros me roubam o tempo livre, procuro aqui uma foto da casa, mas me perco nas lembranças. Não existe atestado médico para o dia das lembranças.

sábado, 26 de julho de 2014

Um sorriso de festa


Rodrigo Souza e a alegria de sempre
E a vida nos dá e nos tira como um vento. Quando fui convidada para dar aula no curso de comunicação social em 2011, comemorei. Vi a possibilidade de dividir com a garotada todas as informações de bastidores que eu tinha sobre a escrita em jornal e TV. Vi também um garoto jovem, na primeira carteira anotando tudo o que eu falava. Com o tempo ficamos mais próximos. Ele esperara a aula acabar e me ajudava com o equipamento, comprava  minha água, carregava meu material, mas não me poupava de pedir para que o ensinasse algo mais. Um dia fomos almoçar juntos e eu passei mal. Ele não se desesperou, pediu uma água, me acalmou e fez gracinhas para eu reagir. Eu estava saindo de uma estafa, o organismo pedia um tempo. “Se a gente não para, o corpo para a gente”, me dizia ele.
Quando o Rodrigo foi chamado para trabalhar na TV, comemorei. Sai correndo de Copacabana e fui encontrá-lo em um shopping em Botafogo. Era véspera da entrevista dele para a TV e eu querendo ensinar tudo sobre voz, postura. Ele entrou para a NGT e não demorou muito ganhou um programa semanal de uma hora. Comemoramos!
Virávamos noites escrevendo pauta, selecionando temas, curiosos. Comoramos tudo e sempre. Nos falávamos todos os dias para que eu desse conta de aprender sobre o face, whatsapp, e toda essa parafernalha tecnológica. Ano passado, ele foi comigo a uma loja escolher meu celular. Dizia que o meu era cafona demais para uma professora da comunicação. Assim, passamos a comemorar diariamente a vida e a rir dela.
Quando ele foi para o hospital ontem, fiquei ressabiada. Sabia que era grave, mas ele me deu a pista falsa. Acreditei, desde o início do ano que ele era hemofílico. Mas não, ele me poupou do diagnóstico de uma leucemia, porque sabia de uma grande perda na minha vida para o câncer. Foi um menino gentil e alegre do primeiro ao último dia de vida. Comemoro a nossa amizade e os dias que passamos juntos, as conquistas e trapalhadas nossas pelos corredores da universidade. Fica bem, meu negão e eu cuido de seguir aqui na festa da vida.


sexta-feira, 6 de junho de 2014

É o meu Direito

Direito-2014
Escolhi ser uma escafandrista das palavras desde cedo. Gosto das análises possíveis. Só que algumas vezes bate uma vontade de apenas nadar, porque os mergulhos não são suficientes. Nadar e boiar tranquilamente, com a sensação de leveza solta. Ter emoção.
                Não tenho o talento da escrita, fico nos bastidores cotidianamente. Mas entrei no táxi emocionada, com vontade de agradecer publicamente o carinho que tenho recebido dos alunos do Curso de Direito/UVA. Voltei para casa em silêncio, pensando nos privilégios que a vida tem me uma dado. Uma saúde muito melhor aos 40 do que aos 30, uma ansiedade menor e nenhuma vontade de ser mais do que tenho sido.
Não é nada simples delegar a uma pessoa a tarefa de ensinar, principalmente quando sabemos que as informações estão aqui na rede. Todas. O talento de ensinar agora é de outra ordem. Não ensino regras. Apresento algumas e eles me apresentam a dureza que é trabalhar e estudar durante um curso de graduação. Ensino a ler as questões que já caíram em concurso e eles me ensinam a rir de mim mesma, quando me enrolo com as questões. Entrego lista com exercícios e eles me dão balas. Mudo a aula. Apresentam um powerpoint e eles lembram histórias engraçadas de vida. As histórias ganham força na discussão do grupo do face, ganhamos também confiança. E a aula segue do jeito que tem que seguir. Uns 12 encontros semanais e já sei quem está com dor de cabeça, vesícula, quem separou, quem é pai, mãe...eles já sabem dos encontros e desencontros da minha vida. É assim na quinta-feira com os que estão entrando no Curso, uma euforia só. É assim na sexta de manhã com cara de sono. É assim na sexta à noite com um escorando o outro, na certeza de que não iremos cair.
Volto pra casa com as minhas flores e meu cartão. A casa está vazia. Os papeis espalhados e fico a pensar nisso tudo. Somos todos privilegiados com esses encontros. Que outra profissão me daria tudo isso?
Agradeço a todos por cada encontro e abro um vinho para degustar as emoções. Eis aqui uma pessoa se entregando.
Parte inferior do formulário


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Quando se tem 15 anos

Ela me cercou logo no começo do ano, me deu o texto e pediu para que eu publicasse aqui. A vida corre, os escritos ficam guardados, mas aparecem na gaveta, quando simplesmente procurava o cartão do banco. Saudades dos meus 15 anos... 

Foto do texto original- Beatriz Cristina - 27/02/13
É tão bom estar gostando de alguém quando se tem 15 anos, gostando de uma pessoa que te faz sentir realizada, feliz. A melhor coisa do mundo aos 15 anos é isso, é como se eu tivesse me aventurando em um parque de diversões. No amor é assim, uma aventura, é uma diversão que nunca será esquecida.
Quando uma adolescente está apaixonada, vira totalmente a cabeça pelo garoto, ela passa a ficar imaginando umas ceninhas românticas que pode rolar entre ela e o garoto, o coração dela dispara quando o vê, ela deseja estar ao lado dele a todo momento, fica carinhosa, sensível, enfim... tudo o que uma garota sente quando gosta de um garoto. É bom gostar de alguém quando se tem 15 anos, dá pra sentir que alguma coisa na vida é interessante, importante, que é uma coisa legal de viver.
Sabe quando você está ali com quem você gosta, trocando beijos, carinhos e muitas juras de amor?...então, acho que não tem momento melhor que esse na vida. Isso sim é sensacional, uma lembrança que é de ficar marcada na memória pra sempre; essa sensação poucas pessoas sentem. Apenas os privilegiados conseguem ter, é como querer voar e não ter asas, é com querer ser um papagaio e não poder falar, é errar e aprender com os próprios erros.

Onde há sentimento verdadeiro e bonito, tem uma fortaleza indestrutível, que nada, nem ninguém é capaz de derrubar. E se alguém tentar com a maldade, o amor... responde com a felicidade.

domingo, 14 de julho de 2013

Nosso 14 de julho


                       

A viagem não seria o problema. O que me inquietava era aquele sorriso em silêncio. Já não conseguia saber se a felicidade estava, de fato, ao meu lado. Estávamos confiantes com a decisão tomada. Quem se importaria? Como saber a opinião de um mundo que sempre é ausente de atitudes? Como evitar que as pessoas carreguem o medo na boca, na pele, na unha?
    A Chuva caía forte e com força segurava o volante, certo de que precisava de muita atenção. O sorriso permanecia nos lábios, o coração bobo disparava e o rio transbordava. Sairíamos ilesos dessa história? O tempo é o nosso inimigo.

Eu lhe falei de um lugar onde nos sentiríamos seguros. Sua gratidão me confortou. Partimos em silêncio. Ao lado dos nossos sapatos deixamos um cravo amarelo e um escrito.
(c.varandas)

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Fórum De Caso com a Palavra.




Foto de divulgação
A Secretaria da cultura do Estado do Paraná tem realizado projetos bem interessantes, com gente séria e muito querida nessa organização. No último carnaval, por exemplo, aconteceu o projeto Bibliopraias. Vejam o link http://www.cultura.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=1297. Mas, como nem tudo se acabou na quarta-feira de cinzas deem uma olhada na programação do projeto Fórum De Caso com a Palavra que acontecerá em breve.

Cronograma

Tema: Efeitos e afetos da literatura 
Horário dos fóruns: 8h às 18 horas

Fórum de Foz do Iguaçu – 1º de março de 2013
Convidados:
Alice Penteado Martha, especialista em leitura e literatura, UEM/PR 
Andre Neves, ilustrador e escritor, RS 
Marina Colasanti, escritora, RJ 
Rosana Alverne, escritora e contadora de histórias, MG 
Mediadores contam suas experiências

Local: Auditório Cesar Lattes 
Parque Tecnológico Itaipu (Usina de Itaipu) 
Av. Presidente Tancredo Neves, 6731
Na entrada do Parque Tecnológico haverá um ônibus que levará os participantes do fórum da barreira até o auditório do evento.
Fórum de Maringá - 22 de março de 2013
Convidados: 
Affonso Romano Sant´Anna, escritor, RJ 
Ana Luiza Lacombe, contadora de histórias, SP 
João Ceccantini, especialista em leitura e literatura – UNESP/SP 
Ricardo Azevedo, escritor, SP 
Mediadores contam suas experiências

Local: Teatro Municipal Calil Haddad
Av. Dr. Luiz Teixeira Mendes, 2500. Zona 05.
Fórum de Ponta Grossa - 19 de abril de 2013
Convidados: 
Caio Riter, escritor, RS 
Carlos Daitschman, contador de histórias, PR
Cristóvão Tezza, escritor, PR
Gilka Girardello, especialista em infância e comunicação – UFSC/SC
Mediadores contam suas experiências



 Maiores detalhes em http://www.cultura.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1181

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Convocação

Bloco Mulheres da Vila
Terça-Feira | 12/02/2013 | 16:00

Foto de divulgação

Rua 28 de Setembro: Rua 28 de Setembro, Vila Isabel
Concentração: Rua Gonzaga Bastos
Percurso: Rua Gonzaga Bastos, Avenida Vinte e Oito de Setembro e terminando na Praça Barão de Drumond (Praça Sete)

domingo, 20 de janeiro de 2013

São Sebastião Surfista


Esse corajoso São Sebastião surfista apareceu durante a Rio +20 e juntos ficamos de olhos abertos na nossa cidade. No dia de São Sebastião, fiquem com uma imagem que foi feita em uma banca de jornal na Cinelândia- coração do Rio.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Um país se faz com homens e livros


Dois anos após a tragédia na Região Serrana do Rio de Janeiro, vejo as imagens de outra tragédia-- agora em Caxias. Os motivos são sempre os mesmos, não precisamos repetir. Mas os dias não escurecem para pessoas como Zeca Pagodinho e Eliana Yunes. 

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/
O primeiro é conhecido pelas composições, pelas entrevistas bem humoradas, pelo despojamento total e pelo amor incondicional por Xerém, local muito atingido pelas águas. Zeca não reuniu amigos, não colou com ninguém quando viu todo aquele cenário de tristeza. Ele simplesmente colocou a mão no bolso, comprou colchões, comida, abriu as portas do seu sítio e acolheu. Emocionou.

Eliana Yunes é professora, diretora da Cátedra Unesco de Leitura da PUC-Rio, currículo acadêmico invejável, tem sorriso na voz e amor incondicional pela leitura. Nos anos 90, ela reuniu amigos, como Affonso Romano de Sant’anna e idealizou o Proler. Capacitou agentes de leitura que se espalharam pelo Brasil. Quando o governo cortou a verba do projeto, Eliana colocou a boca no trombone, fez barulho!

Há pouco mais de um mês, reencontro Eliana Yunes no XI Fórum de Estudos Linguísticos da UERJ. Quase 16 anos depois de ter sido bolsista no programa de incentivo à leitura coordenado por ela. Era a mesma Eliana, ainda com o sorriso na voz e tocando para frente novos projetos. O mais recente é o resgate dos escritos dos moradores de Nova Friburgo, que tem a primeira Secretaria de Leitura do Brasil. Resgate de documentos, memórias,  resgate da própria capacidade de se emocionar. 

          

Quem me conhece vai perceber, na entrevista aqui publicada,  o quanto  aprendi com essa mulher nos quase três anos de trabalho. Para quem não me conhece...prazer, camarão que dorme a onda leva!


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Amigo oculto literário




Como disse Drummond, na crônica Ritos de Natal, “não há lugar de trabalho onde não se cumpra o ritual do amigo secreto --  ou oculto, como se diz no Rio”.  A ideia de organizar um amigo oculto de livros para encerrarmos o período letivo na Faculdade foi da simpática Caroline Lilian (foto). O Amigo oculto literário, nome de batismo, foi sugestão do Gabriel França. E Rosana Steinbach fechou com chave de ouro quando ordenou que todos pensassem ou criassem um poema para declamar para o seu amigo oculto. 


Livros para ler em 2013
Nada foi problema para os 15 jovens alunos do Curso de Letras e uns cinco agregados (maridos, namorados, alunos de outros cursos). Nem mesmo o fato de não termos mesa para todos, nem mesmo o forte calor, nem mesmo o dia estafante de trabalho que todos tivemos. Barulho também não nos incomodou. Muito pelo contrário. As pessoas olhavam atentamente para os apaixonados por literatura que declamaram com emoção os poemas selecionados. Alguns escreveram seus próprios textos e a única enrolada réu confessa fui eu! Confiei demais na minha memória e me enrolei com um poema do F. Gullar.

Tê-los como alunos foi um privilégio. Obrigação é estender aqui no Varal todo o meu carinho, organizar o próximo encontro e declamar um poema direitinho! 


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Escola da Magistratura do Estado Do Rio de Janeiro



A dica é dos alunos do Curso de Direito/UVA e divulgo aqui para todos, pois devemos saber mais sobre os nossos direitos. Na Escola da Magistratura do Estado Do Rio de Janeiro há várias palestras interessantes e gratuitas! Confiram no site:
e lembrem-se: Informação é poder. Informação é atitude. Informação é tudo, nesse Brasil que pouco informa e muito deforma. 


Novembro/2012

08
10h00
às
17h30
"SEMINÁRIO TEMAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR"
Clique na imagem ao lado e veja a programação
Desembargador Paulo Roberto Leite Ventura
Inscreva-se 
12
09h00
às
12h00
"O IMPACTO DO CPC NO DIREITO IMOBILIÁRIO"
Clique na imagem ao lado e veja a programação
Auditório Antonio Carlos Amorim
Inscreva-se 
12
15h30
às
18h00
"O PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO E O RISCO DE DANO AO MEIO AMBIENTE"
Clique na imagem ao lado e veja a programação
Auditório Nelson Ribeiro Alves
Inscreva-se 
13
09h30
às
12h00
"DIREITO E JUSTIÇA NUMA PERSPECTIVA PÓS-POSITIVISTA"
Clique na imagem ao lado e veja a programação
Auditório Nelson Ribeiro Alves
Inscreva-se 
22
09h00
às
12h00
"A CONSTITUCIONALIDADE DA REFORMA DO CDC"
Clique na imagem ao lado e veja a programação
Auditório Antonio Carlos Amorim
Inscreva-se 
26
10h00
às
12h00
"O MINISTÉRIO PÚBLICO NA TUTELA COLETIVA DO CONSUMIDOR"
Clique na imagem ao lado e veja a programação
Auditório Nelson Ribeiro Alves
Inscreva-se 
28
09h00
às
12h30
"SEMINÁRIO CRITICO À REFORMA DO CÓDIGO PENAL E A LEI MARIA DA PENHA"
Clique na imagem ao lado e veja a programação
Auditório Antonio Carlos Amorim
Inscreva-se 















terça-feira, 14 de agosto de 2012

Leituras!



Exposição Corpos Presentes - CCBB/ agosto, 2012


O arquivo

Victor Giudice

No fim de um ano de trabalho, joão obteve uma redução de quinze por cento em seus vencimentos.

joão era moço. Aquele era seu primeiro emprego. Não se mostrou orgulhoso, embora tenha sido um dos poucos contemplados. Afinal, esforçara-se. Não tivera uma só falta ou atraso. Limitou-se a sorrir, a agradecer ao chefe.

No dia seguinte, mudou-se para um quarto mais distante do centro da cidade. Com o salário reduzido, podia pagar um aluguel menor.

Passou a tomar duas conduções para chegar ao trabalho. No entanto, estava satisfeito. Acordava mais cedo, e isto parecia aumentar-lhe a disposição.

Dois anos mais tarde, veio outra recompensa.

O chefe chamou-o e lhe comunicou o segundo corte salarial.

Desta vez, a empresa atravessava um período excelente. A redução foi um pouco maior: dezessete por cento.

Novos sorrisos, novos agradecimentos, nova mudança.

Agora joão acordava às cinco da manhã. Esperava três conduções. Em compensação, comia menos. Ficou mais esbelto. Sua pele tornou-se menos rosada. O contentamento aumentou.
Prosseguiu a luta.

Porém, nos quatro anos seguintes, nada de extraordinário aconteceu.

joão preocupava-se. Perdia o sono, envenenado em intrigas de colegas invejosos. Odiava-os. Torturava-se com a incompreensão do chefe. Mas não desistia. Passou a trabalhar mais duas horas diárias.

Uma tarde, quase ao fim do expediente, foi chamado ao escritório principal.

Respirou descompassado.

— Seu joão. Nossa firma tem uma grande dívida com o senhor.

joão baixou a cabeça em sinal de modéstia.

— Sabemos de todos os seus esforços. É nosso desejo dar-lhe uma prova substancial de nosso reconhecimento.

O coração parava.

— Além de uma redução de dezesseis por cento em seu ordenado, resolvemos, na reunião de ontem, rebaixá-lo de posto.

A revelação deslumbrou-o. Todos sorriam.

— De hoje em diante, o senhor passará a auxiliar de contabilidade, com menos cinco dias de férias. Contente?

Radiante, joão gaguejou alguma coisa ininteligível, cumprimentou a diretoria, voltou ao trabalho.

Nesta noite, joão não pensou em nada. Dormiu pacífico, no silêncio do subúrbio.

Mais uma vez, mudou-se. Finalmente, deixara de jantar. O almoço reduzira-se a um sanduíche. Emagrecia, sentia-se mais leve, mais ágil. Não havia necessidade de muita roupa. Eliminara certas despesas inúteis, lavadeira, pensão.

Chegava em casa às onze da noite, levantava-se às três da madrugada. Esfarelava-se num trem e dois ônibus para garantir meia hora de antecedência. A vida foi passando, com novos prêmios.

Aos sessenta anos, o ordenado equivalia a dois por cento do inicial. O organismo acomodara-se à fome. Uma vez ou outra, saboreava alguma raiz das estradas. Dormia apenas quinze minutos. Não tinha mais problemas de moradia ou vestimenta. Vivia nos campos, entre árvores refrescantes, cobria-se com os farrapos de um lençol adquirido há muito tempo.

O corpo era um monte de rugas sorridentes.

Todos os dias, um caminhão anônimo transportava-o ao trabalho. Quando completou quarenta anos de serviço, foi convocado pela chefia:

— Seu joão. O senhor acaba de ter seu salário eliminado. Não haverá mais férias. E sua função, a partir de amanhã, será a de limpador de nossos sanitários.

O crânio seco comprimiu-se. Do olho amarelado, escorreu um líquido tênue. A boca tremeu, mas nada disse. Sentia-se cansado. Enfim, atingira todos os objetivos. Tentou sorrir:

— Agradeço tudo que fizeram em meu benefício. Mas desejo requerer minha aposentadoria.

O chefe não compreendeu:

— Mas seu joão, logo agora que o senhor está desassalariado? Por quê? Dentro de alguns meses terá de pagar a taxa inicial para permanecer em nosso quadro. Desprezar tudo isto? Quarenta anos de convívio? O senhor ainda está forte. Que acha?

A emoção impediu qualquer resposta.

joão afastou-se. O lábio murcho se estendeu. A pele enrijeceu, ficou lisa. A estatura regrediu. A cabeça se fundiu ao corpo. As formas desumanizaram-se, planas, compactas. Nos lados, havia duas arestas. Tornou-se cinzento.

João transformou-se num arquivo de metal.

domingo, 8 de julho de 2012

Flip- Festa Literária em Parati


Foto: Guilherme Carvalho
A palavra para resumir até agora o meu ano de 2012 é 'Encontro'. Não pensava em ir a Parati para ver a Flip, até porque nas duas vezes em que estive na Bienal do Livro aqui no Rio, sinceramente, não gostei. O convite foi na quinta e na sexta-feira revivi os velhos tempos de pegar a estrada à noite. Vi o dia amanhecendo em Parati e encontrei muita gente querida na Festa Literária. De fato, achei que poderia ter mais editoras, mais discussões. Mas na Flip  pude rever professores da minha graduação mediando discussões, crianças se divertindo com os bonecos que circulavam pela cidade, ex-alunos que agora são professores, alunos da Universidade, colegas de trabalho. 
                                            
Fiquei como criança em dia de festa. E foi uma Festa! 
As estátuas liam...

                                                                            As crianças liam....

A Literatura circulava... e o e simpático Luis Fernando Veríssimo me fez essa gentileza.... 
Luis Fernando Veríssimo, Bruno Ramos e Cristina Varandas
Parafraseando Orestes Barbosa, eu diria que andei cantando a minha fantasia em Parati enquanto a lua salpicava de estrelas aquele chão.









quarta-feira, 27 de junho de 2012

Esqueceram do Burle Marx na Rio +20???

Burle Marx


Lamentável que a imprensa tenha feito uma cobertura da Rio +20 no estilo ‘cobertura do carnaval carioca’, ou seja, o Riocentro parecia o Sambódromo.  Frases feitas -  ‘o documento é fraco’, ‘os países estão reunidos, mas ainda é pouco’ , ‘O Rio de Janeiro vive um momento histórico’ – enquanto esperávamos as notas dos jurados.  Do outro lado, na Cúpula dos Povos, tínhamos uma cobertura estilo ‘blocos de rua’. E nessa história toda, esqueceram de contar a História. A Rio +20 acabou e eu não vi, não li, não ouvi nada, nadinha sobre Roberto Burle Marx. Pode ser que eu tenha cochilado, mas parece que os organizadores e jornalistas não fizeram o trabalho de casa. Simplesmente esqueceram de falar um nome importantíssimo: Roberto Burle Marx – um dos maiores paisagistas do mundo!

Burle Marx foi, entre outras coisas,  o criador do projeto paisagístico do Aterro do Flamengo, exatamente onde estava a Cúpula dos Povos! Um nome respeitadíssimo internacionalmente.

Tive a oportunidade de ver Burle Marx sorridente, jogando conversa fora entre os moradores da Barra de Guaratiba, onde criou um sítio que hoje pertence ao IPHAN. Parecia gente boa, simples como a natureza. Não precisa falar, bastava ver o que ele fez. Quem quiser saber um pouco, assista ao programa De Lá Prá Cá exibido na TV Brasil em 2009.

                      

quinta-feira, 14 de junho de 2012

III JORNADA A ANÁLISE DO DISCURSO E SUAS INTERFACES

                                     UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
      FACULDADE DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS DE RIBEIRÃO PRETO
       
14 DE AGOSTO




quarta-feira, 6 de junho de 2012

Divulgando...


Conversa entre Heloisa Buarque de Hollanda 
e Armando Freitas Filho
Instituto Moreira Salles - Rio de Janeiro
6 de junho de 2012 às 20h

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Encontro marcado II

                                     
         "O acaso, como se sabe, é um fator decisivo na
        existência            dos          fatos e das pessoas."
                                                                                                         Ferreira Gullar


Cristina Varandas, Ferreira Gullar, Alice Fernandes, Camila  Farias e Gabriel França
                                              
Poucos têm a oportunidade de conhecer seus escritores favoritos em vida ...
Sábado, sem nenhuma pretensão ou acordo, fomos agraciados com o imenso presente de conhecer  Ferreira Gullar!! Cristina Varandas
, Gabriel França, Camila Farias e eu vamos ficar eternamente estasiados com aquele momento! Um mix de surpresa, emoção ... enfim, foi excelente!!

Não condeno o fotógrafo pela foto não tão nítida, afinal, não é sempre que encontramos Ferreira Gullar !!

O acaso faz as coisas acontecerem ... isso vai ser para sempre o norte da minha vida!!

                                                                                                                         Alice Fernandes