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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Corrida Maluca

Corrida Maluca
E segue a nossa corrida maluca com a Penélope Nada Charmosa contra Dick Vigarista...
No primeiro turno estava vivendo um breve exílio no Uruguai e não votei. Tenho assistidos aos debates muito mais pelos ossos do ofício das aulas de argumentação do que pelo exercício de um voto consciente. É tudo muito ruim.
Enquanto domingo não chega, voto no Muttley! O cachorro com a gargalhada mais debochada--exatamente a mesma que todos do poder sempre dão.


segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Quem você deixaria pendurado de cabeça para baixo?

Exposição Corpos Presentes - CCBB/2012

Quem ainda não viu, corra para ver. A exposição Corpos presentes, do escultor inglês Antony Gormley,  está no Centro Cultural Banco do Brasil até 23 de setembro. São esculturas em tamanho real feitas a partir do corpo do artista. 
Ao observar a imagem acima, fiquei imaginando quem eu deixaria de cabeça para baixo para sempre. Bem, não vale lista pessoal, pois certamente deixaria alguns de fora. Inicio  aqui uma lista pública para começarmos. O critério é citar uma pessoa para cada categoria diferente. 
Vejamos:
1- Fernando Collor (categoria político)
2- Xuxa (categoria televisão)
3- Belo (categoria músico)
4- Thalita Rebouças (categoria escritora; favor não confundir com a pessoa Thalita Rebouças! Ah, fala sério!)
5- Tiririca (categoria....categoria...palhaço?)

Façam suas apostas!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Envelhecer



O velho guitarrista- Pablo Picasso
                            
Conheço algumas pessoas que estão envelhecendo mal. Desconfortavelmente. Com uma infelicidade crua na alma. Estão ficando velhas, mas não estão ficando sábias. Um rancor cobre-Ihes a pele, a escrita e o gesto. São críticos azedos do mundo. Em vez de críticos, aliás, estão ficando cítricos, sem nenhuma doçura nas palavras. Estão amargos. Com fel nos olhos.
E alguns desses, no entanto, teriam tudo para ser o contrário: aparentemente tiveram sucesso em suas atividades. Maior até do que mereciam. Portanto, a gente pensa: o que querem? Por que essa bílis ao telefone e nos bares? Por que esse resmungo pelos cantos e esse sarcasmo público que se pensa humor?
Envelhecer deveria ser como planar. Como quem não sofre mais (tanto) com os inevitáveis atritos. Assim como a nave que sai do desgaste da atmosfera e vai entrando noutro astral, e vai silente, e vai gastando nenhum-quase combustível, flutuando como uma caravela no mar ou uma cápsula no cosmos.
Os elefantes, por exemplo, envelhecem bem. E olha que é uma tarefa enorme. Não se queixam do peso dos anos, nem da ruga do tempo e, quando percebem a hora da morte, caminham pausadamente para um certo e mesmo lugar - o cemitério dos elefantes, e aí morrem, completamente, com a grandeza existencial só aos grandes permitida.
Os vinhos envelhecem melhor ainda. Ficam ali nos limites de sua garrafa, na espessura de seu sabor, na adega do prazer. E vão envelhecendo e ganhando vida, envelhecendo e sendo amados e, porque velhos, desejados. Os vinhos envelhecem densamente. E dão prazer.
O problema da velhice também se dá com certos instrumentos. Não me refiro aos que enferrujam pelos cantos, mas a um envelhecimento atuante como o da faca. Nela o corte diário dos dias a vai consumindo. E, no entanto, ela continua afiadíssima, encaixando-se nas mãos da cozinheira como nenhuma faca nova.
Vai ver, a natureza deveria ter feito os homens envelhecerem de modo diferente. Como as facas, digamos, por desgaste, sim, mas nunca desgastante. Seria a suave solução: a gente devia ir se gastando, se gastando, se gastando até desaparecer sem dor, como quem, caminhando contra o vento, de repente, se evaporasse. E iam perguntar: cadê fulano? E alguém diria – gastou-se, foi vivendo, vivendo e acabou. Acabou, é claro, sem nenhum gemido ou resmungo.
A literatura tem lá seus personagens-símbolos a esse respeito: o Fausto e o Dorian Gray. Apavorados com a velhice e a morte, venderam a alma ao diabo e pediram a juventude de volta. Não deu certo. O diabo não joga para perder. Dizem que a única vez que foi realmente derrotado foi naquela disputa com o próprio Deus a respeito de Jó. Mesmo assim, deu um trabalho danado.
Especialistas vão dizer que envelhece mal o indivíduo que não realizou suas pulsões eróticas essenciais: aquele que deixou coagulada ou oculta uma grande parte de seus desejos. Isso é verdade.
Parcial, porém. Pois não se sabe por que estranhos caminhos de sublimação há pessoas que, embora roxas de levar tanta pancada na vida, têm, contudo, um arco-íris na alma.
Bilac dizia que a gente deveria aprender a envelhecer com as velhas árvores. Walt Whitman tem um poema onde vai dizendo: "Penso que podia ir viver com os animais que são tão plácidos e bastam-se a si mesmos."
Ainda agora tirei os olhos do papel e olhei a natureza em torno. Nunca vi o Sol se queixar no entardecer. Nem a Lua chorar quando amanhece.
Adaptado de SANT’ANNA, Affonso Romano de. Melhores crônicas. São Paulo. Global, 2003, pp. 52-54

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Filosofia do atual trânsito carioca...

             


  
 Na ida um suplício!

                           Na volta, um sacrifício.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Filosofia do mês....


                                                                   


            Longe fica nas paredes da memória....

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O Poliglota

Achava-se Emilio de Meneses em uma roda da “Pascoal”, quando chegou um amigo e apresentou-lhe um rapaz que vinha em sua companhia:
- Apresentou-lhe Fulano de Tal. É nosso patrício e tem corrido o mundo inteiro. Fala corretamente o inglês, o francês, o italiano, o espanhol, o alemão...
O rapaz sorria, modesto, antes os elogios, e a palestra voltou ao que era.
Ao fim de uma hora, durante a qual apenas proferiu alguns monossílabos, o viajante despediu-se e se foi embora.
- Que tal esse camarada? Perguntou a Emilio um dos da roda.
- Inteligentíssimo e, sobretudo, muito criterioso – opinou o rei dos boêmios.
- Mas ele não disse palavra...
- Pois, por isso mesmo, tornou Emilio. E rindo: você não acha que é ter talento saber ficar calado em seis línguas diferentes?

                                               (Humberto de Campos)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Desapega!

A leitura do livro foi para ela uma revelação. Havia muito tempo pensava em mudar de vida, em dar um novo rumo à sua existência, terminando com as frustrações, realizando seus sonhos de juventude. Achava, porém, que isso só poderia ser feito de maneira drástica, terminando com o casamento, saindo de casa, indo morar em algum lugar distante. Mas o livro sugeria que não precisava chegar a tais extremos. Poderia começar de maneira modesta e prática: jogando fora 50 coisas que considerasse desnecessárias. Um passo para começar a distinguir o que era realmente importante do que era apenas secundário.
Livrar-se de 50 coisas desnecessárias não seria, porém, coisa fácil. Por causa do marido. Homem autoritário, obsessivo, não queria que nada fosse jogado fora. Tudo teria de ser guardado: jornais antiquíssimos, eletrodomésticos que já não funcionavam, roupas velhas e rasgadas, e até biscoitos mofados.
Felizmente, para ele, e infelizmente para ela, a casa, herdada da família dele, era enorme: dois pisos, sótão, porão. Resultado: velharias e quinquilharias por toda a parte. O pior é que ele conhecia cada coisa, cada objeto; sabia procurá-los nos lugares onde estavam. E reclamava de qualquer mudança, por mais insignificante que fosse. Já despedira incontáveis empregadas por causa disso.
Mas ela estava determinada a ir em frente com seu projeto. E, quando tivesse reunido os 50 objetos de que falava o livro, não os jogaria fora apenas: trataria de queimá-los numa fogueira monumental que, além de garantir a irreversibilidade da mudança, simbolizaria o ingresso na nova fase de sua vida.
Para facilitar a tarefa, resolveu trabalhar com grupos de dez objetos. Primeiro grupo: roupas usadas do marido. Fácil, muito fácil. Meias furadas, camisas rasgadas e manchadas, paletós fora de moda: num instante a coleta terminou. Depois veio o grupo da papelada, que incluía jornais e revistas antigos. Também foi fácil. Revistas de dez anos atrás estavam guardadas numa prateleira! Coisa completamente maluca! Foi tudo encaminhado para uma pilha no quintal.
O terceiro grupo era de livros, e aí já foi mais difícil; em muitos casos ela ficou em dúvida. Mas os volumes comidos de traça obviamente podiam ser dispensados, assim como os livros em duplicata. (...) O quarto grupo era de equipamentos fora de uso. Também difícil. Poderia jogar fora uma máquina de escrever manual? Uma impressora aparentemente fora de combate? De qualquer jeito deu para juntar dez itens, que foram direto para a pilha do quintal.
E aí veio o quinto grupo, o mais difícil: objetos pessoais e decorativos. (...) De qualquer modo foi indo e conseguiu chegar à cifra de nove coisas descartáveis.
Faltava um décimo objeto, e ela estava pensando a respeito, quando o marido chegou. Ao ver o que a mulher estava fazendo, teve um ataque de fúria: era uma falta de respeito aquilo e ela tinha de botar tudo no lugar imediatamente.
A ordem foi, claro, cumprida. Mas ela não pôde deixar de pensar que, ao menos, tinha descoberto o quinquagésimo item a ser jogado fora.

                                                                                 SCLIAR, Moacir. A arte de jogar fora.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A mula


Uma mula, de tanto comer cevada, havia engordado; começou então a pular, gritando para si mesma: “Meu pai é um belo cavalo, e ligeiro na corrida; e eu sou exatamente como ele”. Então, chegou um dia em que a mula se viu na necessidade de correr. Após a corrida, ela, triste, lembrou-se de repente de que seu pai era um asno.
Moral: a fábula mostra que é sensato, mesmo nos momentos de glória, nunca se esquecer da própria origem, pois esta vida não é senão incerteza.
                                                  (Fábulas – Esopo. São Paulo: Martin Claret, 2006. Adaptado)

terça-feira, 21 de junho de 2011

Quanto mais penso,
Mais os meus cabelos caem.
Cadê os meus fios condutores?
C.Varandas

segunda-feira, 11 de abril de 2011

                MENTIR TORNOU-SE MAIS CONVENIENTE DO QUE A VERDADE