Longe fica nas paredes da memória....
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Um novo retrovisor

Malas prontas. Tudo certo para a viagem de férias. Não ficaria muito tempo, bastava uma semana para rodar pela cidade. Chamou um táxi pelo telefone. Como sempre fazia. Achava muito boa a ideia de ir conversando com os motoristas. Era uma espécie de divã. Falava, falava e depois batia a porta com alívio.
Entrou no táxi e viu que apesar de usar um elegante vestido, havia esquecido de colorir os lábios. Faltava-lhe um brilho. Começou a conversar com o motorista sobre o carnaval, enquanto revirava a bolsa a procura de um batom.
O motorista perguntava se ela era casada, se estava indo viajar a trabalho, se conhecia a tal cidade. Com um sorriso no canto da boca, ele a olhava pelo retrovisor. Bonita, educada, simpática.
Achava graça das frases dele. Não achava o batom, achou uma conta com o prazo vencido, consultou o calendário no celular e continuava a falar com o motorista. Não parava quieta com aquela bolsa de muitos fechos.
Ele estacionou com cuidado, para retirar a mala. Não podia ficar muito tempo parado ali, porque táxis e aeroportos não são pacientes.
Ela desceu do carro e quando foi pegar a mala, ele segurou a mão dela e perguntou se ela, realmente, não estava lembrando dele.
Ela deu uma risada, não se sabe se foi um susto ou de prazer. De fato. Era ele! Seu primeiro namorado. Seu homem por quase quatro anos. Viu bem que os dentes dele ainda eram tortos e o corpo atlético. Sorriu com mais calma, sentindo a chuva cair. ‘Estimo em revê-lo’, disse.
Vai ver é assim mesmo, pensaram. Algumas pessoas ficam a olhar a vida pelo retrovisor. Enquanto outras buscam novos voos, mesmo sem brilho.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
As canções
Escolhi o cinema para retomar as palavras por aqui, porque não há nada melhor do que uma sala de cinema para descansar (?) de um cotidiano miserável que se repete todo ano: fortes chuvas, desabrigados, aumento de preços na primeira semana do ano, BBB (hein?), dinheiro público que vai e vem, mas não fica em lugar algum.
Por isso, o primeiro post do ano vai para As canções, documentário dirigido por Eduardo Coutinho.

No documentário, para cada história de amor (histórias que se repetem, diga-se de passagem), há uma música. Ainda que o documentário apresente uma repetição (mais uma repetição?) da figura da mulher abandonada e do homem com final feliz, não só gostei de ouvir as narrativas, bem como cantei as músicas selecionadas, em conjunto com a plateia do cinema, ex-Unibanco Arteplex – atual Espaço Itaú.
Em especial, destaco a história da Déa, 82 anos, que canta lindamente Último desejo – Noel Rosa
“Nunca mais quero seu beijo
Mas meu ultimo desejo
Você não pode negar
Se alguma pessoa amiga
Pedir que você lhe diga
Se você me quer ou não
Diga, que você me adora
Que você lamenta e chora
A nossa separação”
A história do Queimado (mais carioca, impossível!) que resgata a mulher da vida dele, depois de ouvir Que nêga é essa, do outro mais carioca, impossível, Jorge Ben.

E a história da corajosa Silvia, que conta os muitos anos de idas e vindas de um amor através da música Retrato em Branco e Preto- Chico Buarque
"Já conheço os passos dessa estrada
sei que não vai dar em nada
o seu segredo sei de cor"
As narrativas são contadas no palco de um teatro, belas e verdadeiras histórias. É disso que precisamos! É sempre o simples que me encanta.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Dezembro, um abraço!
Dezembro é o mês com trânsito intenso a qualquer hora, mês em que há muito calor e muita chuva, restaurantes barulhentos, pessoas impacientes, médicos com agendas lotadas, parece que o brasileiro se organiza como se fosse acontecer uma guerra. Todos os mercados lotados, as casas abastecidas, os presentes embrulhados, as roupas novas... parece que tudo precisa ser organizado antes do ano acabar e por isso é também o mês da arrumação.
Arrumar a casa no fim do ano, significa arrumar as ideias. Talvez seja por isso que todo mês de dezembro eu arrume o que não arrumei o ano todo. Colocar o que nos interessa no lugar certo.
Em uma dessas arrumações, caiu literalmente na minha cabeça, um livro que há anos não sabia onde estava. Trata-se do Livro dos Abraços do escritor uruguaio Eduardo Galeano.
Desço a escada que me leva até o alto da estante, abro o livro e sinto cheiro de lembrança. Mas só depois de alguns minutos vejo a dedicatória:
"O Livro dos abraços com um abraço bem apertadinho. Sempre"
Isso tudo me fez pensar que embora o mês de dezembro seja sempre um tumulto, certamente é o mês em que recebemos e damos abraços carinhosos em todos: nas pessoas que conhecemos e vemos todos os dias, nas recém chegadas nas nossas vidas, nas que não vemos há tanto tempo, nas que nunca mais veremos novamente...
Não arrumo o livro na estante, ele ainda não tem o lugar certo, é preciso reler. Apenas dou um abraço no livro acreditando que definitivamente Dezembro é o mês do abraço...E assim viro a página de 2011, desejando a todos um abraço bem apertadinho.Sempre.
Cristina
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
II SIELP - Simpósio Internacional de Língua Portuguesa
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
30/05 A 01/06
de
2012
domingo, 18 de dezembro de 2011
Cesaria Evora deixa saudades....
Paris, 05/04/2004
E m'dojr bo caba q'ues esparate
Pa ca ba pobe nome d'velocidade
Oia q'ma tude cosa forte
Um dia ta t'chega na fim (2 x)
Se bo ta moda um tracolança
'M ca sabê
Se bo vida ta na balança
'M ca e culpode (2 x)
Ja'l soma ta bem ta treme
Q'tude se vaidade estilusinha
Ele ca t'ma fe na ques desgraçode
Q'tava traz d'quel esquina ta guital (2 x)
Se bo ta moda um tracolança. . .
Se bo ta moda um tracolança. . .
Ja'l soma ta bem ta treme. . .
Se bo ta moda um tracolanca. . .
Assinar:
Postagens (Atom)


