quinta-feira, 7 de julho de 2011

Cariocas


'Cariocas são bonitos
Cariocas são bacanas
Cariocas são sacanas
Cariocas são dourados
Cariocas não gostam de dias nublados'
Adriana Calcanhoto

quarta-feira, 6 de julho de 2011

DEBATE – Sociolinguística e didática: o livro didático em questão




Debatedores:
Professor Marcos Bagno (UnB)
Professor Ricardo Almeida (FEUFF)


Mediação:
Professora Jussara Abraçado (UFF-Letras)
Centro Acadêmico de Letras da UFF

Data: 06/07/2011
Local: Instituto de Letras da UFF (Sala: 218-C)
Horário: 19h

sábado, 2 de julho de 2011

Não acha?




O esmalte da unha já estava descascando quando ela se deu conta de que o tempo passou. Olhou para os lados, abriu um sorriso, mas o tempo passou. Via-se mais feliz, feliz com as pessoas, feliz com o emprego, feliz com o porteiro e infeliz com os ponteiros. Há um nó na vida que nem com o passar dos anos é possível desatar.
Mas agora que já escreve sem medo, que arrisca em dizer, agora que sabe o paladar da comida, agora que cozinha com alma, agora que faz por querer, agora que olha maliciosamente, agora que vê que o espaço é pequeno, agora que assume a bagunça eterna, agora que abre os olhos e duvida, agora que batuca no teclado, agora que repara o retrovisor do lado, agora, justo agora, é a hora: chuta o balde!! Ora, ora...
C. Varandas

terça-feira, 28 de junho de 2011

O carrasco


Pequena história, significando não sei bem o quê. Dizem que, quando recebeu o Robespierre caído em desgraça para medi-lo para a
guilhotina, o carrasco se surpreendeu.
- O senhor aqui?!
- Veja você - disse Robespierre. - Não faz muito, eu é que estava mandando gente para você executar. Agora o condenado sou eu.
Mas isso é a política, um dia você manda, outro dia você é mandado. Inclusive para a guilhotina...
Ao que o carrasco disse:
- Felizmente, estou livre disso. Só eu sei manejar a guilhotina. Tenho o cargo mais estável da República.
- Aliás - disse Robespierre - fui eu que lhe contratei, lembra?
- Claro - disse o Carrasco - como poderia esquecer?
- Então me ajude a fugir - sugeriu Robespierre.
E o Carrasco sorriu e disse:
- Lembra por que o senhor me contratou? Porque eu era o servidor público perfeito. Eficiente, cumpridor de ordens e incorruptível.
Abra a camisa, por favor.
                                                    (Luis Fernando Veríssimo- Zero hora, 16 de dezembro de 2007 | N° 15450)

sábado, 25 de junho de 2011

Profundamente

                                                        
Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes, cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.

No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam, errantes

Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?

— Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente.

                            Manuel Bandeira

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Quarta-feira em Vila Isabel vale o dia!



Basta ficar na 28 de setembro numa quarta-feira à noite e você descobre o motivo pelo qual Noel Rosa adorava isso aqui. Toda quarta-feira, quando saio de casa, por volta das 18h para dar aula na universidade, fico inquieta com a fila que tem na esquina do Bob’s, ao lado da minha casa. Trata-se de um centro espírita que  escolheu o bairro, para também espalhar boas energias - assim espero.
O que me deixa inquieta é como o bairro é escolhido por todas as crenças e credos.
Na Boulevard 28 de setembro temos a belíssima igreja Nossa Senhora de Lourdes, na calçada da direita e mais a frente, um pouco depois da Quadra da Escola de Samba, a Igreja Metodista. A Assembléia de Deus fica exatamente em frente à Quadra da escola de samba e voltando pela calçada da esquerda, temos agora, o novo centro espírita.
Demorou um pouco para eu saber que o tambor que tocava na noite de quarta não era o tambor da escola de samba, mas sim o tambor do centro espírita.
Além da curiosidade geográfica religiosa, também é um registro interessante ver os moradores conversando pelos bares do bairro, um pouco antes de irem para seus espaços religiosos. Já vi um grupo se despedindo em um bar e se dividindo. Um casal ia para o Centro Espírita (diga-se de passagem, fica ao lado do Restaurante Capelinha- cantinho escolhido pelo Noel para tomar cafezinho)e o outro grupo ia para a missa na igreja católica.
É ou não é muito bom conviver com tudo isso e acreditar que o respeito impera? Quem está precisando de boas energias, vale passear pela 28 e acreditar nos pedidos.